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Tenho pensado muito sobre o tipo de presença que sou na vida das pessoas.
Existem dias em que sou abrigo. Minha palavra acolhe, meu silêncio respeita, minha presença traz descanso. São momentos em que percebo como pequenos gestos podem aliviar pesos invisíveis que o outro vem carregando ao longo do dia.
Mas também preciso ser sincero comigo mesmo: às vezes sou tempestade.
Nem sempre o que está dentro de mim está em paz. Há dias em que o cansaço, a pressa e as preocupações se acumulam, e se eu não vigiar, aquilo que está agitado no meu interior acaba alcançando quem está por perto. Uma resposta atravessada, um silêncio duro, uma impaciência sem necessidade. E então percebo que a chuva que caiu sobre o outro começou primeiro dentro de mim.
Essa reflexão tem me ensinado algo importante: maturidade não é viver sem tempestades, porque elas fazem parte de ser humano. Maturidade é reconhecer quando o céu escurece dentro de mim e escolher não transformar isso em peso para quem caminha ao meu lado.
Às vezes sou abrigo. Às vezes sou tempestade. E talvez a sabedoria da vida esteja justamente em perceber essa diferença.
Todos os dias eu tenho diante de mim a oportunidade de escolher que tipo de marca minha presença vai deixar. Posso ser descanso ou inquietação. Posso ser leveza ou peso. Posso ser alguém em quem o outro encontra paz, mesmo quando o meu próprio céu ainda luta para clarear.
No fim, a pergunta que fica para mim é simples, mas profunda: tenho sido abrigo ou tempestade para as pessoas que Deus colocou no meu caminho?